somos todos mestres e aprendizes




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somos todos mestres e aprendizes

:: Conceição Trucom ::
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O riso é a menor distância entre duas pessoas - Eugene Ionesco

Todos os grandes gênios que a humanidade já produziu concluíram, cedo ou tarde, que nosso vasto mundo é um playground onde, de todas as moedas de troca, a mais importante é o bom humor. Seja ensinando e/ou aprendendo, "brincar" é, sem dúvida, a melhor forma de perceber, amar e viver a vida.

No ato do brincar e rir verdadeiros, acionamos/oxigenamos nossa inteligência afetiva e emocional, ou seja, abre-se um fluxo de energia circulante para o 'sentir' e 'perceber' as pessoas que nos cercam e o invisível. Isso explica porque quando bem humorados, ficamos mais inspirados e inteligentes, e transcrevo aqui uma frase genial do pensador Guy Claxton: O riso é uma condição necessária para o pensar, porque a inteligência aumenta quando você pensa menos. Hehe!

Somos animais curiosos e só podemos sobreviver m nosso mundo se tivermos formas de satisfazer nossa curiosidade

e aliviar todas as tensões inerentes aos desafios, inclusive, de aprendizado e amadurecimento, da vida.

Os animais humanos fazem isso através da brincadeira autêntica, embora nossa sociedade não valorize, infelizmente, a verdadeira brincadeira para os adultos. E aí começa nosso desafio maior, pois pais e professores são adultos, que precisam ensinar a vida às suas crianças. Como será esta troca? Quem será o mestre? Quem será o aprendiz?

O perigo: somos educados para a luta e competição. Crianças têm direito à infância? Adultos têm direito de brincar e aprender com suas crianças?

Mas, enquanto o padrão social é a luta, ficamos impacientes, tomamos atalhos (mundo da ilusão) e depois, surpresos, o desempenho e aprendizado caem, a frustração surge, e o mental racional/lógico nos confirma: somos mesmo incompetentes (notas baixas) e infelizes (mesmo que a nota seja alta) porque solitários.

O psicólogo Arthur Koestler acredita que a curiosidade, ou impulso exploratório, é um imperativo fundamental do comportamento humano, como a fome ou a sede. Ele cita amplas evidências do mundo animal como, por exemplo, os macacos que brincam com um desafio e o solucionam sem a oferta de uma recompensa. E, o que é mais importante, o desempenho melhora quando não estão brigando por uma recompensa, mas brincam solucionando o desafio no espírito da "arte pela arte".

Quando há briga NÃO HÁ UMA BRINCADEIRA AUTÊNTICA e os animais "ficam impacientes e tentam resolver as coisas rapidamente", o que faz claramente o desempenho piorar. Você já viu este filme?

O ato de ensinar e aprender é pura criatividade, alegria, arte pela arte, ao mesmo tempo uma questão de sobrevivência (no sentido da significância), jamais de competição.

A curtição verdadeira é nosso elo com o tipo de pensamento que nos permite ver a vida como um processo de constante redefinição, ressignificação. O bom humor e o riso, que pode partir do professor (pais) e contagiar alunos (filhos) ou partir do aluno (filho) e contagiar o mestre, pode ser um sinal de que estamos aprendendo novos padrões, de que captamos uma nova maneira de perceber algo. Uma aproximação via afetividade.

Mantenho minha posição de que só porque algo é importante, ou sou o líder da hora, não preciso ser séria. Buda foi o primeiro a ligar riso à alma, inspiração e criatividade. Ou seja, todos podemos ser pessoas animadas, inspiradas e viver uma vida criativa.

Quando permitimos que o bom humor e o riso se manifestem, façam parte do nosso cotidiano, abrimos uma pista de acesso para que padrões rígidos sejam transformados, e será por esta mesma pista que iremos acessar a forma mais fundamental de crescimento: nossa habilidade de aprender, registrar e responder flexivelmente e afetivamente às exigências da vida.

A perda do meio ambiente adequado para se brincar e, como conseqüência, da própria capacidade de brincar, produz muitos efeitos negativos na vida das pessoas: crianças e adultos. Nos últimos tempos, cientistas de várias áreas dedicam-se a investigar a filosofia e a psicologia do ato de brincar: o que acontece com o corpo, cérebro e comportamento de uma pessoa quando se diverte, faz travessuras, ri e desfruta a vida?

Desde o início, os resultados surpreendem: é justamente quando se brinca que as células cerebrais formam mais e mais conexões (sinapses), criando uma rede densa de ligações entre neurônios que passam sinais eletroquímicos de uma célula para outra. Ou seja, o ato de brincar e rir estimula e exercita as diferentes funções cerebrais. Sinapses brotam em grande número especialmente durante o momento de descontração e bom humor. E um fluxo interessante acontece: o que está acumulado na mente desce para as demais partes do corpo. Mente e corpo se aliviam de suas tensões, permitindo que ambos tenham mais percepções e prazer.

Finalizo este texto pedindo uma reflexão para o modelo de relação e posicionamento entre mestres e aprendizes. Quem é mestre? Quem é aprendiz a cada minuto de nossas vidas? Ou melhor, o que você quer ser? Mestre? Aprendiz? Ou os dois ao mesmo tempo?

Quando funcionamos sem bom humor, riso e criatividade, perdemos a capacidade da afetividade e do aprender, portanto, de ensinar. Quando afirmamos que somos autoridade porque temos mais idade ou papéis a cumprir, é sinal claro de que ficamos presos no mundo da ilusão e colocamos nossas crianças no mundo da solidão e impotência: onde estão meus mestres e referenciais? Com quem vou exercitar minha forma natural de aprender?

O modelo de uma vida comum bem-sucedida, que inclui decisões e compromissos precoces, com um preparo educacional que não aciona a espontaneidade, o aprender criativo, mas sim a luta e a competitividade, irá gerar que alegria e realização nas carreiras, casamentos e relacionamentos das nossas crianças?

Que mestre ou pais se sentem realizados e significantes se não existe alegria, prazer, afeto e calor nas relações com suas crianças?

Vamos mudar? Vamos curtir e aprender e... daí poder ensinar?

Bateson define a sabedoria como tendo muitos ingredientes, mas um dos essenciais é "nos tornarmos conscientes de quantas vezes teremos de mudar de idéia".

Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas
voltados para o bem-estar e qualidade de vida.



a verdade

A verdade é algo intimamente ligado à realidade individual com uma boa dose de sentimento lacônico agregado a atos e fatos de nossa jornada. Segundo Nietzsche a verdade é apenas um ponto de vista e por isso sempre possuí uma dúbia lateralidade, sendo difícil alcançar uma certeza sobre este conceito. Dificilmente, conseguiremos conceituar com naturalidade e precisão uma expressão de tamanha importância como é a verdade. A verdade de cada um é um sentimento muito íntimo derivado da nossa interpretação mental relacionada à interpretação dos sentidos e a crença de cada indivíduo.

Como diria Willian Shakespeare: "...não importa quão delicada ou frágil seja uma situação, sempre existem dois lados...".

Como poderemos saber a verdade sobre determinados fatos quando não estamos vivendo diretamente esta ou aquela situação? A verdade depende diretamente dos envolvidos em uma dada questão e principalmente dos valores morais e sociais que cada um possui e como se depositam estes valores sobre o fato crítico apresentado. A verdade filosófica é apresentada de diferentes maneiras. As ciências exatas estuda e se ocupa da natureza da verdade. A lógica tenta a preservação e o conhecimento da verdade. Como pode-se definir e julgar se aquele fato é carregado pelo portador da verdade ou pelo correio da falsidade? Existem teorias e postulados que tratam a verdade como uma propriedade ou como uma simples ferramenta a serviço de uns poucos.

Devemos, sim, é buscar sempre a nossa verdade e prestarmos a devida atenção a todos os seus vértices que subitamente são alternados de acordo com a velocidade temporal humana e espiritual. Alguns acreditam que a verdade é apenas uma ferramenta conveniente. Outros acreditam que a verdade é o caminho iluminado da sabedoria e do conhecimento. A verdade é tanto um sentimento como uma razão e a única diferença entre a minha e a sua verdade é a intensidade com a qual a sentimos. O modo como cada um de nós é sensível a uma determinada dor é a maneira diferente de sentirmos a verdade. Certamente, todos nós estaremos suceptíveis às mesmas dores, porém nossa sensibilidade e percepção serão diferentes, mas nem por isso estaremos sendo falsos com relação à dor em questão.

Nossa busca pela verdade é eterna e adentra os porões da consciência de forma que carregamos esta busca após cada jornada terrena. A grande verdade é que a verdade está dentro de cada um de nós. Depende basicamente de nossas experiências, de nossas vivências, do nosso conhecimento e de nossa bagagem espiritual. Cada ser possui sua própria verdade, e tudo aquilo em que uma pessoa acredita passa a ser a sua verdade. O que nós não podemos fazer é lamentar sentando à margem do caminho e desta forma ficarmos paralisados no tempo, nos fechando para outras possibilidades e idéias, pois o que verdadeiramente acreditamos ser o correto, pode ser mostrado no amanhã como o contrário. Nesta grande busca da verdade devemos privilegiar a honestidade em nosso coração e em nossa razão.

Conforme o monge Swami Vivekananda: "Devemos ter consciência que a verdade não é propriedade de ninguém e de nenhuma raça. Nenhum indivíduo pode reclamar sua exclusividade. A verdade é a natureza simples de todos os seres.

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